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authors:
- M. J. Olgin
isoListDate: 2022-10-26
isoSourceDate: '1935'
language: pt
read_time_minutes: 4
summary: O trotskismo não é algo que envolva apenas uma pessoa. Não é uma peculiaridade
  de um indivíduo. O trotskismo é um fenômeno social. O fato de Trotsky ter participado
  na revolução acrescenta um certo prestígio a suas falas aos olhos dos incautos.
  Neste caso, assim como em muitos…
title: A Base Social e a Lógica do Trotskismo
translator: Red Yorkie
twitter: https://twitter.com/RodericDay/status/1561916439166164992
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>Moissaye J. Olgin (n. 1878-1939) foi um jornalista revolucionário judeu-ucraniano.
Ele imigrou para os Estados Unidos vindo da Alemanha em 1915, incapaz de retornar devido à guerra e, desde então, trabalhou como correspondente estrangeiro especial para o *Pravda* na União Soviética, além de colaborar com vários jornais e organizações estadunidenses.
Em 1922, ele fundou *The Morning Freiheit*, onde atuou como editor até morrer.
>
Estes são trechos do livro de Olgin *Trotskismo: Contrarrevolução Disfarçada* (1935).
Vale a pena ler o livro inteiro, mas achei que alguns trechos poderiam interessar os leitores a fazerem isso.
>
Os primeiros dois segmentos são do capítulo 2 ("A Base Social do Trotskismo"), o terceiro, do capítulo 4 ("Socialismo em Um Só País"), e o último, do capítulo 5 ("A Revolução dos Camponeses").
{M. J. Olgin, 1935. *Trotskismo: Contrarrevolução Disfarçada*. <https://www.marxists.org/archive/olgin/1935/trotskyism/index.htm>}

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O trotskismo não é algo que envolva apenas uma pessoa.
Não é uma peculiaridade de um indivíduo.
O trotskismo é um fenômeno social.
O fato de Trotsky ter participado na revolução acrescenta um certo prestígio a suas falas aos olhos dos incautos.
Neste caso, assim como em muitos outros, o elemento pessoal não pode ser ignorado.
Mas mesmo se Trotsky não existisse, o tipo de oposição à revolução que ele representa encontraria seus defensores.
O trotskismo ressurge em cada etapa do movimento revolucionário porque é a expressão da atitude de uma determinada classe, a saber, a pequena burguesia.

[...]

O fato de que ele não é nem um comerciante nem um pequeno artesão não deve dissuadir aqueles que não estão familiarizados com a interpretação marxiana dos movimentos sociais.
Não se deve supor, diz Marx, que aqueles que representam a pequena burguesia "sejam todos comerciantes ou apoiadores entusiastas da classe dos donos de pequenos comércios":

>_Por sua formação e situação individual, mundos podem estar separando os dois.
O que os transforma em representantes do pequeno-burguês é o fato de não conseguirem transpor em suas cabeças os limites que este não consegue ultrapassar na vida real e, em consequência, serem impelidos teoricamente para as mesmas tarefas e soluções para as quais ele é impelido na prática pelo interesse material e pela condição social.
Essa é, em termos gerais, a relação entre os representantes políticos e literários de uma classe e a classe que representam._
{Karl Marx, 1852. *O 18 de Brumário de Luís Bonaparte*. NT: A tradução deste trecho foi retirada da pág. 64 da edição brasileira de *O 18 de Brumário de Luís Bonaparte*, traduzido por Nélio Schneider e publicado pela Editora Boitempo (2011).}

[...]

A negação da possibilidade do socialismo em um só país é a base de todas as ideias e políticas do trotskismo.
Essa negação, por sua vez, é composta por duas premissas principais:

1. A negação da possibilidade de uma revolução proletária vitoriosa em um só país quando não há revolução simultânea em um ou vários outros países;
2. A negação da possibilidade de construir o socialismo em um só país onde uma revolução proletária tenha ocorrido--caso não haja nenhuma revolução simultânea em outros países.

Isso vai de encontro aos fatos históricos e contradiz a própria essência do entendimento leninista da revolução proletária.

[...]

A partir de uma premissa equivocada, o que se segue são várias conclusões contrarrevolucionárias que constituem as principais características do trotskismo:

1. Sua base é: a impossibilidade do socialismo em um só país;
2. Por isso--a afirmação de que o que está acontecendo na União Soviética não é socialismo;
3. Por isso--a conclusão de que o que está sendo construído na Rússia é um "socialismo nacional";
4. Por isso--a conclusão de que o governo "socialista nacional" da União Soviética é "termidoriano", isto é, contrarrevolucionário, e se contrapõe à revolução mundial;
5. Por isso--a afirmação de que a Internacional Comunista, que é dominada pelo Partido Comunista da União Soviética, que é o partido do "socialismo nacional", está bloqueando o caminho para a revolução mundial;
6. Por isso--a conclusão de que a necessidade premente do proletariado mundial é construir uma "quarta internacional" a ser liderada pelo "grande estrategista" da revolução, Leon Trotsky.
7. Decorre do acima exposto que o apoio à intervenção e o assassinato de lideranças soviéticas são atos revolucionários.

Como vocês podem ver, há lógica nesses desvarios.
Todos eles seguem a inevitabilidade férrea da fonte da negação trotskista do socialismo em um só país.
Não é culpa dos trotskistas se eles não conseguem fazer frente aos fatos históricos.
